Atualizado 15/12/2017

Banca de jogo do bicho em Florianópolis movimentava R$ 13,5 milhões ao ano, diz investigação

Operação apreendeu R$ 209,7 mil e sequestrou 31 veículos e 13 imóveis, incluindo casas de luxo.

A maior banca de jogo do bicho de Florianópolis chegou a movimentar mais de R$ 13,5 milhões ao ano com a atividade ilegal, apontam as investigações da operação Zoológico, da Polícia Civil, deflagrada na quarta-feira (13), por meio da Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais), após um ano de apuração.

A banca vende as apostas em mais de dois mil pontos, na Grande Florianópolis e até em cidades da serra. Na casa de um dos gerentes e na central de apostas da Ponto de Ouro, nome da banca, foram apreendidos o equivalente a R$ 209,7 mil - parte do montante dinheiro está em dólar e euros.

Além da apreensão em dinheiro, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e oito de conduções coercitivas. Também foram bloqueados ativos financeiros de 11 pessoas físicas e 04 pessoas jurídicas, sendo que no total foram sequestrados 31 veículos e 13 imóveis, incluindo casas de luxo.

Conforme a Polícia Civil, ainda não foram contabilizados os valores em contas bancárias e em planos de previdência privada.

 

Investigação

 

O grupo criminoso, segundo a Polícia Civil, abriu duas empresas de fachada que tinham a função de contratar motoboys. Eles recolhiam o dinheiro nos pontos de aposta - na maioria bares ou estabelecimentos perto de agências lotéricas. Depois entregavam em duas empresas, que existem de verdade, e faziam a lavagem de dinheiro.

"Essa empresa que, por exemplo, fatura anualmente R$ 100 mil, ela alega que fatura R$ 200 mil. Esta diferença, é a diferença que vem do jogo do bicho", disse Rodrigo Schneider, delegado da Deic.

A Deic pediu a prisão temporária de 5 pessoas e 3 conduções coercitivas - quando a pessoa é obrigada a depor. A Justiça, porém, só autorizou o depoimento dos oito suspeitos. Seriam 3 gerentes, três sócios e dois filhos de um casal de sócios. Todos ficaram calados ao serem levadas a prestar depoimento.

Com o bloqueio dos ativos financeiros, eles não podem vender os bens e nem mexer nas contas bancárias. "A pessoa, às vezes, não está muito preocupada com a prisão, está preocupada com o dinheiro dela. Porque ele sabe que, quando sair da prisão, o dinheiro dele vai estar lá esperando", disse.

A polícia espera sufocar as finanças da quadrilha até que as investigações terminem. O dinheiro que entra todo dia pelo jogo do bicho, não é declarado, não paga imposto e afeta até a livre-concorrência.

"Como é que um estabelecimento comercial que é criado e mantido com jogo do bicho, como é que outro estabelecimento que é criado com dinheiro lícito vai competir com esse outro estabelecimento comercial?", questionou o delegado.

Fonte: G1
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