Atualizado 29/11/2017

Doria admite ser vice de Alckmin e volta a defender aliança de centro

Prefeito de São Paulo defende que PSDB defina seu candidato ao Planalto na convenção nacional em dezembro como uma "demonstração de equilíbrio"

Prefeito de São Paulo, João Doria admite possibilidade de se candidatar a vice-presidente com Alckmin na liderança | Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil / CP
Prefeito de São Paulo, João Doria admite possibilidade de se candidatar a vice-presidente com Alckmin na liderança | Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil / CP

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), admitiu a possibilidade de ser candidato a vice-presidente da República em uma chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), em 2018. Em entrevista exibida na madrugada desta segunda-feira, 6, no programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, o tucano declarou que "tudo é possível" e voltou a defender que só uma aliança partidária de centro encabeçada pelo PSDB seria capaz de derrotar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) no ano que vem.

Apesar de dizer que não se apresenta como candidato à eleição presidencial de 2018, Doria afirmou que está conversando sobre a disputa com Alckmin. "Hoje tudo é possível. No diálogo, tudo é possível, ainda mais com Geraldo Alckmin", disse o prefeito, quando perguntado se aceitaria ser vice do governador. "Tem que ter o entendimento e sobre a mesa avaliar o que é melhor para o PSDB e o que é melhor para o Brasil."

Após críticas de que estava abandonando a cidade para viajar pelo País e se projetar nacionalmente, Doria afirmou que já recuou. "Eu entendi o recado, nós já mudamos, reduzimos o número de viagens, foco na cidade", afirmou. "Quanto à decisão de ser ou não ser (candidato), não é uma decisão minha, é uma decisão da população." Convidado por outros

partidos para se filiar e conseguir ser indicado como candidato a presidente, Doria afastou a possibilidade de sair do PSDB. "Não é minha índole", afirmou. Ele não descartou ainda a possibilidade de ser candidato a governador na disputa pela sucessão de Geraldo Alckmin, apesar de dizer que sequer encampa a ideia.

 

Aliança de centro

 

O tucano reconheceu que Lula e Bolsonaro, atuais líderes nas pesquisas eleitorais, são nomes fortes para a disputa presidencial, o que representa um risco para o País. Para Doria, Lula é o candidato da extrema esquerda e Bolsonaro, da extrema direita. "O que eu defendo hoje é que o PSDB possa ter uma candidatura pacificadora, aglutinadora e principalmente que as forças de centro estejam unidas. Caso contrário teremos um segundo turno da eleição disputado por Bolsonaro e Lula", disse o prefeito. "O Lula, se você não tiver muita força e muita tenacidade, você sucumbe diante dele. Ele engole você. O Bolsonaro não é diferente, com outro estilo, com outro jeito", afirmou.

Para compor essa aliança, ele defendeu a inclusão do PMDB, apesar de todo o desgaste do presidente Michel Temer. "A meu ver, com todo o desgaste circunstancial, (o PMDB) deve fazer parte sim dessa frente ampla", disse, citando também DEM, PP, PPS, PRB e PR como possíveis aliados.

Doria acredita que Lula será candidato a presidente, mesmo diante do risco de o petista ser condenado em segunda instância. "E, mesmo que isso não ocorra, continuará sendo candidato, mesmo com Jaques Wagner (ex-governador da Bahia), Fernando Haddad (ex-prefeito de São Paulo) ou quem quer que seja, será o Lula." Doria disse ainda que "adoraria" enfrentar o ex-presidente na disputa. "O Lula me teme e ele sabe que ele me teme." Perguntado sobre

outros nomes que tentam se viabilizar, Doria disse não acreditar que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, será candidato e afirmou que o apresentador de televisão Luciano Huck não tem suporte partidário para a disputa.

 

Candidato único

 

O prefeito da capital paulista defendeu, na entrevista, que o PSDB defina seu candidato ao Planalto na convenção nacional que realizará no dia 9 de dezembro como uma "demonstração de equilíbrio" e capacidade para liderar o debate eleitoral em 2018. "Com prévias ou sem prévias." Como plano e governo, o tucano disse que o partido precisa se concentrar em propostas para gerar empregos para a classe mais pobre.

 

Discordando do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que, em artigo publicado neste domingo defendeu o desembarque do PSDB do governo Temer, Doria disse que o partido precisa manter seus ministros no governo e seguir alinhado à política econômica. "Se era pra sair, já deveríamos ter saído", declarou.

 

Farinata

 

O prefeito confirmou que sua gestão abandonou a ideia de implantar a farinata - composto produzido a partir de alimentos próximos ao vencimento - na merenda de escolas municipais e no atendimento à população em situação de rua. Ele reconheceu que o governo "errou" na condução do programa, apesar da "qualidade" do produto. "Encerramos esse processo, não vamos ter mais a farinata." Ele afirmou que a Prefeitura vai anunciar nesta semana o incremento de frutas, verduras, arroz, feijão e proteínas na merenda escolar e no atendimento à população de rua.

Fonte: Correio do Povo
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