Atualizado 09/02/2018

Governo do Estado busca venda de estatais após vitória com o RRF

Plano é derrubar exigência de plebiscito para negociar CEEE, Sulgás e CRM

A aprovação do projeto de lei complementar (PLC 249), na madrugada dessa quinta-feira, por 30 votos a 18, que autoriza a adesão do Rio Grande do Sul ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) proposto pelo governo federal, abriu um novo horizonte para o Palácio Piratini.

Desafiado por dúvidas em relação à votação que autoriza o Estado a firmar um acordo com a União, cuja apreciação enfrentava resistências na Assembleia desde dezembro de 2016, o governo do Estado comemorou o resultado e projeta agora enviar à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) imediatamente uma nova proposta de adesão ao RRF. “Vamos remetê-la novamente. Mas desta vez mais robustecida com a decisão da Assembleia, que nos deu aval para firmarmos o acordo”, anunciou ontem Giovani Feltes, secretário estadual da Fazenda.

Apesar do alívio com o resultado da votação , uma nova etapa - ainda mais complexa - precisará ser superada pelo governo do Estado para que seja possível assinar um acordo com a União: a aprovação de três propostas de emendas à Constituição (PECs), que suprimem a exigência constitucional de plebiscito para a venda ou federalização da CEEE, da CRM e da Sulgás. Para derrubar a necessidade de realização de plebiscito são necessários 33 votos, o que o Piratini não tem hoje. A estratégia realista do governo, neste caso, seria aprovar apenas uma ou duas PECs.

“Continuamos precisando de um tripé para pagar as contas em dia: a economia crescendo, a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal e, em terceiro lugar, de ingresso de dinheiro novo”, pontuou Feltes.

Avalista político e um dos formuladores da necessidade da rolagem da dívida do RS como uma das soluções para a crise financeira do Estado, Feltes afirma que o Piratini precisa destes novos recursos para colocar as contas em dia. “Os recursos virão dos ativos que estão aguardando votação na Assembleia”, diz o secretário da Fazenda.

Se aprovada a venda destas estatais, garante, a União dará aval para que o Estado busque um agente financeiro e solicite empréstimo de 50% do valor de venda da CEEE, CRM e Sulgás.

Segundo a Secretaria da Fazenda, o RS precisa de, no mínimo, R$ 2 bilhões para colocar as contas em dia, metade do valor de venda estimado das três estatais. “Temos a expectativa de que a Assembleia Legislativa, provocada há um ano e meio para decidir, trate de decidir”, provocou Feltes.

Fonte: Correio do Povo
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